A VIDA DO “NOVO” PROFISSIONAL DO MARKETING

Autor Andréa Vasconcelos 18 de Janeiro de 2018

Quando se assiste na TV a um comercial de algum produto ou serviço, é comum pensar que trabalhar fazendo isso deve ser simples e bem divertido. Mas te confesso que não é tão simples assim: trabalho há mais de 20 anos em empresas alimentícias e a trajetória de divulgação de um novo produto é feita de muito suor, preocupação e de muito planejamento.

MAS AMO ESSA CORRERIA, e vou dividir contigo um pouco da minha experiência!

Meses antes daquela publicidade, o profissional de marketing realiza uma série de estudos para definir como deveria divulgar a novidade ao mercado, quais seriam os públicos atingidos, o que os concorrentes já fizeram antes – e a diretoria precisa saber em quanto tempo este investimento em publicidade vai se pagar!

É preciso mencionar os meses que as outras áreas da empresa também se empenham e se dedicam no desenvolvimento do novo produto ou do serviço propriamente dito, com a inclusão de novas fórmulas e de novas tecnologias, e sim, de muitos e muitos testes.

E por fim, mas não menos importante, o profissional de marketing acompanha o desenvolvimento da arte da embalagem, com seus claims e chamadas impactantes, sempre acompanhando a legislação atual de cada segmento.

Atualmente, o feedback imediato das redes sociais, que se tornou um canal muito importante e , em algum casos, maior até do que a mídia tradicional, exige que os profissionais de marketing tenham maior agilidade, dinamismo e rápidas tomadas de decisões. Pois o que foi decidido numa reunião na parte da manhã, pode muito bem precisar mudar subitamente, por causa da repercussão das redes sociais.

E esse é um fato fácil de comprovar nos dias de hoje. Quantas vezes você já acompanhou a divulgação de uma campanha polêmica ou uma campanha viral na sua timeline, em que a marca precisou explicar suas verdadeiras intenções, logo depois da sua divulgação?

Há alguns meses atrás, isso aconteceu com uma empresa de queijo.

Em um dos seus posts diários no Facebook, os criativos, responsáveis pelo trabalho de branding nas redes sociais, desenvolveram peças comparando a embalagem do produto com capas de discos de bandas famosas de rock – nesse caso, a capa era do disco da banda Pink Floyd, “The Dark Side of The Moon”. A capa do disco de 1973 traz em sua imagem as cores do arco-íris, um dos principais símbolos da causa LGBT+, presente em sua bandeira.

Após a publicação, pessoas começaram a atacar a marca dizendo que a empresa estava fazendo “apologia à ideologia de gênero”.

A empresa põe arco íris, já está incitando o fato. Menos um produto em meu lar e dos meus familiares“, diz um dos internautas na postagem da marca. “É fogo. Os LGBTs pegaram o arco-íris para se identificar, e na boa qualquer produto que apresenta essa marca embutida, já era, não compro“, apontava outro.

Por conta do número de comentários, os autores da campanha tiveram de publicar uma resposta para explicar o post.

Nossa equipe criativa teve como inspiração a capa do álbum The Dark Side of The Moon, da banda Pink Floyd, para “brincar” com o conceito de fominha. Prezamos pela paz, pelo respeito e pela igualdade em nossa comunidade aqui. Embora não tenhamos feito alusão ao movimento LGBT+, temos máximo respeito pela causa. Contamos com todos que adoram o queijinho mais querido do Brasil desde mil novecentos e bolinha para fomentar uma comunicação afetuosa e fluida por aqui! Obrigado.”

E ai vem uma afirmação da minha mãe: “Filha, o importante não é o que falamos, e sim, o que o outro entendeu do que falamos!”.

Nessa polêmica, foram utilizados: investimentos, dias de planejamento e criação. Entretanto, afirmo que uma parte dos consumidores da marca não entendeu a relação do queijinho com a banda de rock dos anos 70! O post subiu porque a ideia era muitoooo legal, mas não tinha relevância com o público da marca.

Agora, uma provocação: O engajamento do post aconteceu? Foi positivo para a marca?

Posso te afirmar que a marca esteve presente em discussões espontâneas por dias, e em vários meios de comunicação digitais diferentes! Esse post teve mais de 38 mil reações, e na visão dos marqueteiros, foi sim, uma repercussão legal para a marca.

FALE MAL, MAS FALE DE MIM.

Como uma profissional de marketing, entendo que hoje em dia, para que uma marca consiga se sobressair frente a tantos impactos visuais, é necessário muito investimento e é muito trabalhoso se destacar… Entretanto, eu ainda acredito que o caminho mais seguro é criar relevância com o público, é desenvolver uma linha de comunicação verdadeira e com reciprocidade de pensamentos e ligados à identidade da marca – a alma do negócio precisa estar na forma com que a marca se comunica.

Sinto que agora as marcas só possuem dois lados para seguir: ou são a favor das bandeiras, ou só lhe restam o caminho de não serem a favor!

 

E pra você, como uma marca ganha relevância?

Defender uma bandeira da qual você não é adapto, é um bom motivo para trocá-la?

 

Pra finalizar, reafirmo o que mencionei no final do primeiro paragrafo: AMO ESSA CORRERIA.

Amo, por causa de todas essas adversidades diárias. Num mesmo dia de trabalho, posso estar planejando novos canais de inovação e gerenciando novos lançamentos, posso acompanhar a filmagem de um comercial e definir as estratégias de comunicação de uma linha de produtos, e ainda interagir com outras áreas da empresa, como vendas, operações ou P&D.

Esse dinamismo que a área exige, faz com que eu ame o meu trabalho.

Um grande abraço e aguardo seus comentários as minhas perguntas.

Autor

AUTOR

Andréa Vasconcelos

Administradora pela UNIFEI, com MBA em Marketing pela FGV e especializações em desenvolvimentos de líderes pela Harvard Business Review Brasil (Casa Educação).
Com experiência de mais de 20 anos nas áreas de Marketing e Administrativo de Vendas, em indústrias de Alimentos, Bebidas, Higiene, Beleza e Têxtil. Atuou em empresas como Baruel, Gomes da Costa, Fini Guloseimas, Docile Alimentos. Atualmente, apoia empresas de alimentos nas suas estratégias de Gestão de Produtos, atuando como incentivadora da Inovação e da Comunicação transparente e que entrega valor para o usuário.
Foi responsável pela ideação e desenvolvimento de produtos inovadores como patês de atum e saladas prontas, e participante ativa na introdução de novas categorias no Brasil, como Balas de Gelatinas, Marshmallows e Regaliz como Gerente de Marketing.
Idealizadora e desenvolvedora de formatos criativos para novos canais de vendas, como Lojas e Quiosques em Shoppings Center, e Lojas Virtuais, em empresas de Alimentos .
Experiência no desenvolvimento de franquias e no setor de varejo, com foco em marketing e branding.

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