SOCIALIZAÇÃO: TRANSFERINDO CONHECIMENTO TÁCITO NA APRENDIZAGEM CORPORATIVA

Autor Cristina Leonhardt 11 de Janeiro de 2018

Como prometido na abertura desta série, hoje vamos continuar aprofundando as formas de transferência de conhecimento que podem ser usadas na aprendizagem corporativa. Neste post, vamos falar sobre a transferência do conhecimento tácito, através da socialização, baseada no Modelo SECI.

 

 

E por que é tão importante transferir conhecimento tácito?

Este é o tipo de conhecimento difícil de ser verbalizado, e também difícil de ser esquecido – temos até um dito popular a respeito: “ninguém esquece como se anda de bicicleta”. Uma vez que alguém tenha aprendido e internalizado algo, no seu tácito, dificilmente precisará de um procedimento operacional para dizer como proceder.

Simplesmente fará porque sabe fazer.

Estudos na área da gestão da inovação também apontam para o fato de que o conhecimento tácito é o mais diretamente relacionado à inovação – ou seja: quanto mais “saber-fazer” há numa organização, maior o seu potencial inovador. Você pode ler um deles na íntegra aqui.

O conhecimento tácito também é o único que não está homogeneamente distribuído pelo mundo. Antes da internet, ter acesso a livros, patentes e revistas científicas atualizadas poderia ser um bom diferencial competitivo para uma empresa. Isso caiu por terra no momento em que a informação foi disponibilizada de forma distribuída e acessível via internet. Ou seja, a informação agora é dada – basta alguém ler, ouvir ou ver um conteúdo para ter exatamente o mesmo conhecimento que o seu colega do outro lado do mundo.

Transformar este conhecimento explícito em “saber-fazer” (o conhecimento tácito) já são outras coisas. Quem já observou o comportamento real de novos colaboradores após um longo treinamento de integração em BPF sabe bem do que estou falando.

Então, como fazer para que o meu saber-fazer se transfira para o seu saber-fazer? Em outras palavras:

Como transferir do meu tácito para o seu tácito?

Tanaka, o criador do Modelo SECI, deu a esta etapa de transferência de conhecimento e aprendizado o nome de SOCIALIZAÇÃO.

 

Quais são as ferramentas de Socialização que um instrutor pode utilizar?

Na socialização, devemos dar ênfase à encontros informais, observação, imitação e muita prática.

Na Tacta, gostamos muito de usar dinâmicas provocativas para chamar a atenção dos alunos e ativá-los para o assunto do treinamento. Algumas dinâmicas são resolvidas isoladamente, mas a grande maioria é feita em grupo. É nesta hora que os alunos combinam o conteúdo de sala de aula (conhecimento explícito) com o seu próprio entendimento do assunto (conhecimento tácito) para gerarem um novo aprendizado. Quando fazem isso em grupo, resolvendo problemas entre si, estão ensinando uns aos outros com o que cada um carrega.

Outra forma que empregamos usualmente são os coffee-breaks e happy hours – momentos que parecem apenas para descontração, mas que guardam em si a chave para acessar conhecimentos dos alunos e professores, fora do que havia sido proposto em sala de aula. Nestas conversas informais estamos ensinando e aprendendo, ao mesmo tempo.

Existe até dado científico para balizar esta conversa informal: o psicólogo Kevin Dunbar, ao analisar onde pesquisadores tinham suas melhores ideias, observou que elas aconteciam não atrás dos microscópios – mas sim nas reuniões semanais do laboratório, onde todos eles interagiam entre si. Vale a pena ver este TED a respeito.

Quem já escutou que o “líder deve dar o exemplo”, o famoso “walk the talk”, está em frente à capacidade da observação em transferir conhecimento tácito. Outra forma de utilizar a observação é mostrar o que se quer treinar: levar o aluno até o local e realizar o treinamento on the job, não apenas explicando, mas fazendo o que se deseja ensinar.

Após observar, o aluno pode imitar o instrutor, fazendo ao seu lado. É um caso bem comum quando se está aprendendo a dirigir ou a operar uma nova máquina. Contudo, podemos pensar em atividades de imitação para outros tipos de aprendizado – como realizar uma coleta de amostra, como iniciar uma jornada de trabalho, como responder a uma não-conformidade. A imitação é uma ferramenta poderosa para mostrar o que e como deve ser feito.

Por fim, nada melhor do que a prática: é colocando a mão na massa que nossos alunos mais aprendem. É por isso que no curso Food Law: Entender e Aplicar, o instrutor e meu sócio Dafné faz todo mundo passar por uma fiscalização sanitária, na qual são encontradas não-conformidades, que precisa ser respondidas pelos alunos, montando a defesa sanitária da empresa (assim como numa situação real). No curso de Gestão do Processo de P&D, nós criamos toda a estrutura de uma área de P&D em sala de aula – cada grupo de uma empresa diferente.

Você também pode planejar práticas nos seus treinamentos – e quanto mais reais, melhores. Treinamentos on the job, simulações de processo na planta-piloto e comunidades de prática são bons exemplos de interações práticas que facilitam o processo de socialização.

 

No próximo post desta série, vamos falar sobre a Externalização – a transferência de conhecimento tácito para o explícito. Você sabia que o Sra Inovadeira é um grande exemplo de Externalização?

Pois em breve eu te conto por quê!

 

Você pode aprofundar os métodos disponíveis para a Socialização neste artigo de pesquisadores brasileiros e portugueses.

 

Autor

AUTOR

Cristina Leonhardt

Fundadora da Tacta Food School e da Sra Inovadeira. Visionária de Alimentos. Mãe. Professora. Consultora. Viajante.


Ideias malucas me interessam e pessoas que as colocam em prática muito mais!


Um comentário sobre “SOCIALIZAÇÃO: TRANSFERINDO CONHECIMENTO TÁCITO NA APRENDIZAGEM CORPORATIVA

  1. Boa noite, Cristina! Tudo bem?
    Quero lhe Agradecer pelo Atendimento e Oportunidades.
    Gostei muito da Matéria e do seu trabalho.
    Sucessos! Deus Abençoe.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

ASSINE NOSSA NEWSLETTER

Faça parte da nossa rede
para receber conteúdo de primeira
e interagir com profissionais do setor!

Voltar ao topo Voltar ao topo