COMO RESOLVER UM DESAFIO COM O DESIGN THINKING EM ALIMENTOS?

Autor Alissar Diamenti 9 de outubro de 2018

Já dizia Albert Einstein, “Insanidade é continuar fazendo sempre a mesma coisa e esperar resultados diferentes”. Diante do desafio de obter melhores resultados, uma nova abordagem de pensamento foi proposta em contrapartida ao modo como sempre fomos ensinados a pensar: o design thinking. Dessa forma,  vamos explicá-lo nesse texto, focando na indústria de alimentos.

Antes de começar,  um desafio: temos que desenvolver uma nova massa de macarrão. Como você resolveria esse desafio?

Pense por 5 minutos.

Pensou? Na maior parte das vezes, o que pensamos (e fazemos) como solução em um desafio como esse é  pesquisar o mercado e as tendências que existem, nesse caso  pesquisar o mercado de  massas e observar algumas tendências, definir uma proposta em relação a essas tendências (digamos fazer uma massa sem glúten, por exemplo) e partir para o desenvolvimento. Imagino que você tenha feito algo parecido quando pedimos para pensar sobre o desafio.

O que estou querendo dizer com isso é, em outras palavras, que partimos do problema para a solução diretamente, como sempre fomos ensinados a pensar.
 

design thinking alimentos
Raciocínio comum para resolver desafios

 

Entretanto, há uma forma diferente de abordar esse desafio. Quem trabalha com inovação normalmente raciocina com um processo, o Diamante Duplo  (originalmente lançado pelo Conselho Britânico em Design).  Esse pensamento consiste em um conceito de divergir para convergir, ou seja, criar opções (divergir) e fazer escolhas (convergir). Diferente do pensamento tradicional,  que tem um raciocínio linear, no qual já se deve saber a solução para todo tipo desafio que surgir (“ter a resposta na ponta da língua”) , o Design propõe um raciocínio não linear, no qual  o desafio deve ser explorado pelo seu contexto, e a partir de então decidir por um caminho para explorar soluções possíveis e assim chegar em uma solução, testá-la e aprimorá-la. A proposta é que a partir de um problema, passamos pelas fases:

  1. Descobrir — entender o usuário, mercado, contexto, cultura (divergência)
  2. Definir — focar em um ponto para se trabalhar (convergência)
  3. Desenvolver — abrir possibilidades e soluções (divergência)
  4. Entregar — focar em algumas soluções ou uma solução e testar (convergência)

 

Diamante Duplo, fonte: Design Consul

 

No entanto, apesar de ser o mais comum e aceito, o processo não necessariamente precisa ter apenas dois ciclos. , como o diamante duplo. Podem-se ter mais ciclos de divergir para convergir, que são presentes em outros processos parecidos.  Além disso, a principal e mais importante diferença é que esse processo de design pode ser pautado no usuário, ou seja, “centrado em gente”, usando a abordagem do design thinking, que segundo Tim Brown, CEO da IDEO, uma consultoria global de inovação é “O design thinking é uma abordagem centrada no ser humano para a inovação que se baseia no kit de ferramentas do designer para integrar as necessidades das pessoas, as possibilidades da tecnologia e os requisitos para o sucesso do negócio.”

Entendido um pouco da teoria do design thinking e do diamante duplo, podemos passar para a prática. Peguemos novamente o desafio de desenvolver uma nova massa de macarrão.
 

Descobrir

entender o usuário, mercado, contexto, cultura (divergência)

 

Nessa fase, devemos pesquisar sobre o mercado de massas e macarrão, assim como, cenários paralelos que possam nos dar insights de consumo. É fundamental entender sobre o consumo de macarrão, costumes, modos culturais (no Brasil, Itália, China, etc), através de conversas com os usuários do produto a ser desenvolvido. Usando essas conversas, podemos ter conhecimento melhor sobre a experiência do consumidor com o produto e dessa forma entender como e porquê o usuário consome o produto. Quando ele consome? Com quem consome? Como ele prepara? Com o que ele consome? Que marcas gosta e não gosta? Qual foi o melhor macarrão da vida dele? Por quê? Qual foi pior macarrão da vida dele e por quê?

Quando temos essas informações, entendemos  a jornada de consumo, as expectativas com o produto, as dificuldades no uso do produto  e assim enxergar oportunidades.

Obs: Nessa etapa, é importante  não pensar na solução. Essa etapa é o momento de diagnosticar o desafio:  descobri-lo e entendê-lo. A parte de pensar e resolver o desafio virá nas próximas etapas.

 

Definir

focar em um ponto para se trabalhar (convergência)

 

Depois de explorar todo o contexto e abrir possibilidades na fase 1, deve-se escolher um ponto para focar. Nesse momento, devem-se discutir com a equipe de projeto quais as oportunidades de consumo e quais dificuldades que o usuário tem que podem ser trabalhadas.

É muito importante convergir a partir de todo o conhecimento gerado, relacionando as tendências de mercado, insights de consumo e a necessidade do usuário sob a ótica dele, pois as soluções precisam fazer sentido para o próprio usuário. No momento em que o colocamos no centro, estamos desenvolvendo algo para ele, algo que ele vai consumir e não algo que “eu acho que ele vai consumir porque eu vi nas pesquisas de mercado” ou porque “eu consumo” ou porque o “dono da empresa consome”.

Voltando ao nosso desafio, um exemplo seria, escolher desenvolver um produto para mães que trabalham bastante e querem uma opção de alimento de rápido preparo e saudável para seus filhos.

Obs: Novamente, não pular etapas e não pensar na solução ainda! Esse é um momento de definir um ponto de partida para centralizar as ideias para começar a pensar nas soluções (sim, várias!) na próxima fase.
 

Desenvolver

abrir possibilidades e soluções (divergência)

 

Nessa fase, devem-se gerar ideias para solucionar o ponto definido anteriormente. Esse é o momento de abrir possibilidades, sem se restringir ao contexto da empresa e do P&D. É a hora de ser criativo. Imagine, como a NASA resolveria seu desafio (por que, não)? E a Disney (sim, Disney!)? Imagine sem restrições orçamentárias, como se houvesse todo o dinheiro do mundo para desenvolver esse produto., O que você faria? Entretanto, não se esqueçam de que as soluções têm que fazer sentido para o usuário.

Por exemplo, poderiam surgir ideais como, um macarrão com vegetais para pronto consumo, um macarrão fortificado com o formato de personagens em que as crianças comem contando uma história a partir do que tem no prato e etc.
 

Entregar

 focar em algumas soluções ou uma solução e testar (convergência)

 

Nessa fase, depois de desenvolver várias soluções, é o momento de definir qual será a desenvolvida. Qual ideia será detalhada em relação a formulação e processos. Para definir, é necessário entender o que é possível para a empresa desenvolver e qual solução atende melhor às necessidades do usuário. É a hora de escolher qual ideia iremos criar um protótipo, ou seja, a primeira versão de um experimento e para então apresentar a alguns usuários, colher feedbacks, e melhorar até chegar na versão final do produto.

Quando eu digo, apresentar a alguns usuários e colher feedbacks, eu estou querendo dizer, que mais uma vez é necessário conversar ao vivo e a cores com o usuário, apresentar o produto, entender o que ele mais gostou, menos gostou, como consumiria, se consumiria, qual sabor, textura, odor sente e etc.

Por exemplo, pode-se entender que as crianças iriam demorar muito para comer esse macarrão e para as mães além do preparo rápido é importante que não se estendam muito o horário da refeição, por isso, a ideia dos personagens é bacana mas as mães não estimulariam os filhos a contar história, talvez para elas é importante saber com que é fortificado o macarrão, quantidade de sódio, uma embalagem mais informativa.

Portanto, as fases consistem em diagnosticar e solucionar o desafio através de etapas de divergência e convergência. No casa da indústria de alimentos, o processo consiste em entender a forma de consumo do usuário, definir um ponto crítico, criar soluções para esse ponto crítico, definir qual solução é viável para o negócio e desejável para os usuários e testar e aprimorar.

 

Além disso, percebe-se a importância do usuário em todo o processo de criação. O termo “centrado em gente” usando no começo do texto sugere exatamente isso: inclusão do usuário de ponta a ponta, entendendo o que ele precisava e se as soluções faziam sentido para ele, mantendo-o sempre em foco, desde a concepção até o produto final. A definição pela IDEO de um processo centrado no usuário é “It’s a process that starts with the people you’re designing for and ends with new solutions that are tailor made to suit their needs.” ou seja “É um processo que começa com as pessoas para as quais você está projetando e termina com novas soluções que são feitas sob medida para atender às suas necessidades.”

 

Ferramentas úteis:

Existem diversas ferramentas que podem auxiliar na aplicação do design thinking  e do diamante duplo nos processos de P&D.

Indico os cursos Breaking the Box, Design Thinking para Alimentos e Food UX – Experiência do Usuário em Alimentos da Tacta Food School. Cada um trata com um nível de profundidade o assunto da inovação de alimentos usando o Design Thinking.

Além disso existem diversos design toolkits, que são kits de ferramentas para projetos, como da IDEO, da Livework, da D.School entre outros.

design thinking alimentos
Fonte: Tacta Food School

 

 

Alissar é a ministrante do curso Breaking the Box – Desafio da Inovação baseada em Gente, que a Tacta leva este ano a Lajeado e Fortaleza.
Um curso para quem quer quebrar a caixa, sair da caixa e repensar a caixa da indústria e serviços de alimentos. Quer saber como fazer desenvolvimento centrado em humanos: então vem com a Tacta nesta jornada!

Autor

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Alissar Diamenti

Formada em engenharia de alimentos, pela Escola de Engenharia Mauá. Trabalhou na área na área e hoje atua como designer aplicando a abordagem do design thinking na Livework, uma consultoria de inovação, e na Tacta Food School.

2 comentários sobre “COMO RESOLVER UM DESAFIO COM O DESIGN THINKING EM ALIMENTOS?

  1. Olá! Qual será o valor deste curso, datas e duração?. Obrigada!

    1. Olá, Lilian! Você pode verificar estas informações nos links acima, clicando sobre o nome da cidade desejada 😉

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